domingo, 17 de janeiro de 2016

Operação Lava Jato. Pior que a ditadura: Será?



Circula no meio jurídico uma carta e com ela estão colhendo assinaturas, afirmando que a operação lava jato que é coordenada pelo juiz Sérgio Moro é pior que a ditadura militar, será?
Tudo na vida é relativo, por mais que tentamos qualquer fato dado como certo, sempre haverá uma exceção da regra. Cada época tem suas particularidades e, o que se entendeu num dado período, um ano depois já é outro entendimento, dez anos depois, outro e assim sucessivamente. Assim sendo, me remeto a tentar entender por que alguns advogados que defendem pessoas que estão presas na operação lava jato estão assinando essa “santa e casta” carta, que afirmam abuso de poder e autoritarismo por parte do senhor juiz Sérgio Moro e do Supremo Tribunal Federal.
Ha um eminente jurista que afirma que nem no período militar houve tanta afronta ao direito do cidadão, nem mesmo num tribunal militar! Pois bem, aqui faço uma pequena digressão; no período militar a justiça não era relativa, era circunstancial. Se, o indivíduo fosse julgado por questões politicas, era uma circunstância, agora se fosse, questões envolvendo grandes empresários era totalmente outra, no período militar questão de ordem era tão somente de ideologia, direita ou esquerda, capitalismo ou comunismo.
Atualmente, apesar de estamos caminhando a passos de tartaruga, vivemos um período democrático, direita ou esquerda, capitalismo ou comunismo, é decidido em eleições livres, bom ou ruim, o fato é que estamos começando a aprender a tomar decisões por meio de nossos representantes, ou através de nós mesmo através de manifestações públicas.
No período militar qualquer processo que envolvesse empresas e empresários, políticos e partidos o processo tramitava em sigilo. A imprensa estava proibida de divulgar qualquer coisa que não passasse pela censura prévia do governo militar, portanto, a sociedade era cega em relação ao direito. Todavia, o governo mudou, o processo mudou, o direito mudou, as pessoas mudaram, mas infelizmente, um certo jurista não mudou, vive com um direito do período militar, dos tribunais militares, dos despachos com militares, portanto, alguém precisa avisar ou aconselhar este jurista que os militares retornaram para suas casernas, e lá estão acatando a lei que é do Estado que hoje vigora no país, nada mais justo!
Atualmente a sociedade luta por liberdade de expressão, ou seja, quer saber o que está acontecendo para opinar, manifestar suas ideias a respeito de tudo que acontece no seu país. Entrementes, para que isso aconteça a publicidade dos fatos e sine quo noni. Revelar a pessoa e os fatos é fundamental, conhecer os documentos e suas fontes é fundamental, saber qual juiz é o responsável é fundamental, saber o quando a família do acusado foi beneficiada pela corrupção é fundamental, pois estes são comparsas no crime, ou seja, numa democracia quem deve decidir o que mostrar ou não, não são os advogados de defesa dos acusados, mas a sociedade, se, enquanto se, a sociedade pune os corruptos com publicidade também, é uma escolha da sociedade.
Os juristas que estão assinando essa carta, são advogados que seus honorários estão na casa dos milhões, eram muito amigo de militares, hoje são muito próximos de desembargadores, ministros, como foi o caso do senhor Thomaz Bastos ex ministro da justiça que foi o único que acreditava que seu cliente Roger Abdelmassih não fugiria, mas o réu fugiu, logo …! Acredito que o juiz senhor Sérgio Moro não esteja preocupado com quem ele julga ou com a publicidade, está apenas exercendo suas funções dentro de um regime que é uma democracia, nada mais, penso até que este juiz não seja um herói nacional é apenas um juiz exercendo suas funções como deve ser e nada mais.
infelizmente, nos dias atuais, os advogados não estão preocupados com direito, justiça, sociedade, moral, não, isso não faz parte do seu universo ou de sua índole, os advogados querem apenas, e tão somente, ganharem suas causas, seja seu cliente um estuprador, um assassino em série, seja um corrupto que tirou a merenda de milhares de crianças de escolas, tudo isso é insignificante, o importante é vencer, o importante é ser temido e não respeitado, respeito é um tema para perdedores.

iSem o qual não, sem conhecimentos dos fatos é impossível se manifestar.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/01/1730221-operacao-lava-jato-e-pior-que-a-ditadura-diz-advogado.shtml


sábado, 16 de janeiro de 2016

                                                                            (A)teísta.

O tema liberdade de expressão e liberdade de pensamento é algo que me motiva a ler páginas e páginas, seja em livros ou na internet.  O livro "Diálogos Sobre a Religião Natural”[1] do pensador David Hume é bem interessante, pois fica uma questão sobre o autor, ele era Agnóstico, Ateu ou Teísta?
Hume desenvolve um diálogo entre três personagens: Cleantes, Demea, Filo, Panfilo é o narrador. No livro todos os personagens são teístas. Fato este compreensivo, afinal, neste período Hume seria excomungado, perseguido e às vezes até fritado em óleo quente, por este fato também é que o livro só foi editado após sua morte, afinal Hume sentia sua batata assando só de pensar em publicar o livro em vida.
No geral é o seguinte; Cleantes tenta provar a existência de Deus por meio de argumentos práticos, argumentos empíricos, a posteriori, com fatos dados no mundo. Demea tenta provar a existência de Deus pela razão, com argumentos lógicos, nada empírico ou material, a priori. Quanto a Filo, este fica observando e acompanhando atentamente, às vezes intercede a favor de um ou outro.
O pensador desenvolve argumentos prós e contra sobre a existência de Deus, durante todo o diálogo são apresentados e desenvolvidos vários argumentos muito claros e com muita inteligência de ambos os debatedores, mas nenhum sai vencedor ou convencido, todavia, fica explícito que não provar a existência de Deus, garante que Deus não exista; e isto é muito plausível.
Entrementes pretendo passar para outro tópico que tem a ver com este tema acima; outro dia estava navegando na internet quando me deparei com um site de Ateus, a página principal do site é justificando o ateísmo e se defendendo das agressões recebidas por parte de religiões cristãs de vários nomes. Não cabe aqui ficar citando nome de determinadas religiões, pois o objetivo do texto não é julgar as partes.
A primeira linha do site dos Ateus começa assim: porque ser ateu? Após ler o texto e ler boa parte dos argumentos, passei a refletir o seguinte pensamento: por que alguém tem que ser Ateu ou Cristão, ou Budista ou Mulçumano ou qualquer uma das demais religiões que existem? Por que as pessoas não podem não ser Ateus ou não Cristãos ou não Budistas ou não Mulçumanos ou não ter uma religião das que existem?
A Primeira Cruzada foi em 1095, a inquisição da qual derivam todas as demais, foi em 1184, no ano de 1527 houve inquisição entre os protestantes, ou seja, todos contra todos! Se entre os teístas eles se matavam, imaginem o que faziam com os ateus. Com certeza, no período entre 1095 e 1527 o sujeito antes de admitir publicamente que era Ateu ele primeiramente chapava o melão, e depois dava o ar da sua Graça!
2014, estamos a 487 anos distante da inquisição dos protestantes, mas o preconceito continua, por que? Por que as pessoas não se respeitam, por que as pessoas não conseguem lidar com a diversidade de pensamentos, por que as pessoas precisam e sentem que devem fazer partes de determinados grupos, por que as escolhas individuais não podem ser aceitas, por que?
Um pensador alemão, odiado pelos cristãos e pelos judeus em um dos seus trabalhos, desvenda bem o fato, fato este infelizmente que poucos de nós brasileiros temos acesso, devido à falta de interesse em ler, de uma escola que não prepara aluno para ser um cidadão, mas sim um analfabeto funcional, junte a isto um sistema que nos aliena a ver a rede Globo, curtir Faustão e delirar na baixaria do BBB ou do Pânico.
Volto a este pensador, ele morreu louco, os Teístas falam a boca-miúda que foi um castigo divino, o fato é que seu pai, um pastor protestante, morreu de loucura também (castigo por ser protestante!), e seu irmão em tenra idade também sucumbiu, sabe-se lá o que esta criancinha fez para passar dessa pra melhor! Mas o fato é que, o que vale é se há verdade na pesquisa. E não há dúvida, o homem pensador acertou na mosca.
Nietzsche concluiu que, o homem quando torna parte de um determinado grupo ou já nasce dentro de um grupo, o homem nega a sua identidade para formar uma identidade direta com a do grupo (por favor, não confunda com a alienação definida por Karl Marx), essa mudança de identidade se dá lentamente, vem das promessas futuras, na crença que todos nós somos guiados ou orientados por um líder, geralmente, e os líderes não podem ser questionados pelos membros da base.
Um exemplo, a pessoa gosta de usar bermuda à noite em dias quentes, mas a orientação do grupo é sempre usar calça social, no começo, às vezes o sujeito até pensa em empinar carroça, mas depois auto se convence que o grupo está certo. Depois muda a leitura, ficando dentro dos limites aceitos pelo grupo, depois passa a frequentar apenas os amigos do grupo, gasta o dinheiro com a orientação do líder, o líder passa a saber o quanto a pessoa ganha, bem, no final você é o grupo, mas o grupo não é você, porque você sempre seguirá os propósitos ditados pelo ou pelos líderes grupos.
O leitor amigo poderia de supetão dizer, mas e daí, qual o problema de se identificar com um grupo, “caramba”!
O problema é que, em linhas gerais, antes de entrar para determinados grupos você não questiona o que é, quem são e por que este grupo tem exatamente este modo de ser, essa doutrina, ou essa política, geralmente as pessoas já nascem dentro de grupos, mas nunca se perguntam se gostariam de estar ali, ou seja, geralmente, o homem não descontrói a sua moral para buscar uma moral que seja dele próprio, ou qual é o grupo que se identifica com a sua moral, entrementes, qual a moral de cada homem pensada a partir de cada um, por si mesmo!
A maior parte do preconceito entre as pessoas, nem sempre é porque pensam diferentes. Há grupos que não permitem que os homens usem brincos, um belo dia aparece um elemento usando brincos, as pessoas do grupo criam barreiras contra essa pessoa, não propriamente porque ele usa brincos, mas, os grupos se negam a usar brinco, se privam de usar, diante desse fato ele também não pode, ou seja, a moral do grupo tem que prevalecer sobre ele, mesmo sabendo que não há problema em usar brinco, ou tatuagem, ou piercing ou ser um andarilho... O ódio das pessoas que vivem em grupos sectários está no fato de ver alguém que age por vontade própria e não conforme as ordens dos grupos.
Acredito que as pessoas deveriam viver em paz com as pessoas que lhe respeitam, que lhe ajudam, ou com as pessoas que não nos ajudem mas não nos atrapalhem. Afinal, a vida é curta. Dizem que há uma passagem na bíblia que diz que uma pessoa ganhou o paraíso porque ajudava os outros, mas nunca orou para Deus, enquanto que um que orava todos os dias foi conduzido às portas do inferno porque nunca havia ajudado ninguém. Deus pode até ser um grande mistério, mas essa parábola não tem mistério nenhum.