segunda-feira, 9 de junho de 2014

Um Olhar A Deriva

Capítulo V.

Um mistério
               
                Vera Lúcia sempre foi uma mulher diferente, quando menina era o oposto em relação às meninas de sua idade. Lia muito, muito atenta as conversas dos mais velhos, analisava sempre a opinião de cada pessoa que falava sobre política, comportamentos e costumes das pessoas, ficava encafifada com as opiniões e atitudes das pessoas, às vezes a pessoa dizia uma coisa, mas fazia exatamente o oposto. Aos 16 anos já tinha lido vários livros sobre política, economia, romances, debatia suas ideias com alguns garotos da escola, mas preferia os professores e professoras, praticamente lera de tudo um pouco, drogas, músicas, sexo e alguns livros de filosofia e psicologia.
                Vera não gostava de batom ou qualquer tipo de maquiagem, a muito esforço do pai usara lápis nos olhos, pois para o pai lembrava as egípcias, devido ao fato dos egípcios terem uma história muito interessante pra ela, usava o lápis nos olhos, mas só isto. Ela tinha no pai um grande amigo, para a época era muito raro ver pai e filha serem tão próximos. Os pais de Lúcia nasceram e foram criados na zona rural da cidade, todavia, antes de Lúcia nascer resolveram mudar para a cidade, para o Bairro da Gasosa na Rua Pau da Bandeira. O pai montara uma venda de produtos agrícolas, na esquina da rua Mata Cachorros com a rua Cacete Armado, a venda no início era bem modesta, mas o movimento das vendas indicava que prosperaria em um futuro muito próximo.
                A casa era bem confortável, quartos grandes, duas salas, banheiro dentro de casa, um jardim na frente da casa e a divisa do quintal era um córrego não muito estreito que corria em ziguezague. Entre o córrego e a casa havia uma moita de bambu enorme, todos gostavam da moita de bambu devido ou som que era produzido quando as correntes de ar passavam entre os bambus. A frente da casa era fechada por uma cerca de madeira, as tábuas muito bem talhadas e muito bem tratadas com selador e verniz, nas laterais era uma cerca de arame farpado de sete pernas, ao fundo era apenas o córrego. A moita de bambu formava uma parede de tão densa que, quem estava entre a moita e o córrego não conseguia ver a casa, quem estava na casa não conseguia ver se havia gente atrás da moita.
                O córrego dos Prazeres também era divisa para outra casa, casa esta muito grande e bonita, para chegar a casa partindo do córrego até a casa tinha que ir por uma trilha muito estreita, pois o mato era muito denso e com árvores altas, a distância era entorno de vinte metros, gastava o tempo de andar cem metros no limpo e era impossível andar na trilha sem fazer barulho. Nesta casa morava o senhor Thomás T. Urbano Fortes sua esposa a senhora Baudouine Bienvenue das Ventas, nascera em Malha de Pedras, na Bahia, mas era descendente da família dos Bienvenue da França. Thomás T. Urbano era descendente da família dos Thompson de Oklahoma, dos Estados Unidos, sua mãe nasceu em Aracoiaba no Pernambuco. Na casa eram três, o casal e um filho. Um mancebo.
                Lúcia acordou cedo, como fazia sempre nos dias de semana, o sol brilhava muito, mas algo escurecia ou fazia-a se sentir adentrar algum lugar desconhecido, sentia algo estranho dentro de si, um sentimento de solidão com abandono. Era um dia como tantos outros que tivera em sua vida, mas uma dúvida, algo a incomodava logo ao acordar, se vestiu, mas não para ir à escola, vestiu um vestido pouco usado de chita estampado com tulipas e bromélias, o vestido não tinha mangas e era largo e não passava dos joelhos, sempre usava com vestidos duas anáguas brancas, a primeira lisa a segunda trabalhada, as anáguas sempre eram de cor branco gelo, mas neste dia não as usou.
                O pai, senhor Pimpolho da Paz saia sempre mais cedo, neste dia sua mãe a senhora Clotildes Paciência da Paz seguiu com o marido para ajudá-lo, o último dia útil da semana era sempre o mais movimentado. Lúcia não tomou o rumo da escola, com seu vestido de chita, calçando uma rasteirinha seguiu rumo a moita de bambu. Contornou a moita, escolheu um lugar que parecia confortável e sentou na terra, apoiou as costas em um bambu, com os joelhos dobrados cruzou as pernas, levou as duas mãos por debaixo dos cabelos próximos as orelhas, curvou-se para baixou, fechou os olhos e mergulhou em pensamentos estranhos que lhe acordara.
Já havia lido sobre tais ideias, mas nunca refletira, nunca imaginou que uma leitura poderia lhe roubar um dia, um sentimento. Lúcia pensou por que pensava aquele pensamento, como ela podia pensar algo que estava pensando, quanto mais ela tentava retroceder, sempre percebia que algo estava na condição de observador daquilo que pensava. Pensou que, se a mente pode se distanciar do pensamento a mente é vazia, pois tudo que lhe vinha na mente era refletido como um espelho, um espelho reflete coisas que não estão no espelho, a mente seria um espelho sempre vazio que ao buscar lembranças na memória ou imagens e sons na realidade apenas os refletia. Se eu não tivesse memórias, não pudesse sentir as coisas me tocaram, não pudesse sentir o cheiro das coisas e me encontrasse num quarto escuro, eu não teria certeza de mim mesmo, eu seria como um espelho num lugar escuro!
Não assustou e nem abriu os olhos rapidamente, mas algo ou alguém lhe tocava levemente no ombro direito, percebera que era alguém, pois sentou se ao seu lado. Este que estava sentado ao seu lado segurou lhe a mão, não apertou nem a acariciou, apenas segurou de forma que transmitiu segurança, não imaginava quem poderia ser e por um momento também não queria, aquela paz, aquela segurança que um aperto de mão lhe trazia era tudo que precisava naquele momento.
Manteve os olhos fechados, afinal, por que deveria abrir os olhos rapidamente, por que não conhecer alguém sem poder lhe ver, pensava, se não podemos ver a verdade, talvez possamos senti-la. Se a pessoa que estiver usando algo que desaprovo, não serei condescendente com ele ou ela, afinal, quem garante que meus valores são certos ou meu mesmo. Podia perceber que as mãos não eram grandes, percebia um cheiro seco de madeira, talvez uma alfazema diferente, mais uma vez perguntou a si mesmo em pensamentos de olhos fechados: o que posso ver de olhos fechados quando sei que há coisas que os olhos abertos nunca me revelam?
A pessoa que estava ao seu lado entrelaçou seus dedos nos dedos de Lúcia e com a outra mão, muito levemente passou um dedo no ombro direito deslizando até o cotovelo e retrocedendo até o ombro.
_ O que é mais fascinante, um segredo ou um mistério? a pessoa lhe perguntou.
_ Ser um homem é manter o mistério de um segredo, ou revelar o mistério do segredo? perguntou Lúcia.
_ Ser homem é manter o mistério com seus segredos. Aqui neste momento, como posso saber quem eu sou se tu não me olhas! Como posso saber se sou bom ou ruim se seus olhos não me revelam, acredito que as pessoas nos identificam através do olhar, se tu me olhas, tenho ideias a meu respeito, afinal são seus olhos que há de me dizer o que sou para você.
- Toda moral será castigada sob o sol que alumia o homem. Um sussurro com os lábios muito próximos do ouvido de Lúcia fora assoprado para ela.
Lúcia de olhos fechados via um mar enorme surgindo a sua frente, as águas não lhe tocaram os pés, pois estava em cima de um rochedo, as ondas calmamente foram surgindo, longas uma das outras, mansas, sentia seu corpo se balançado pela maresia, pouco a pouco as ondas foram aumentando, crescendo e com intervalos curtos, o ritmo era perfeito ia aumentando aos poucos.
Primeiro foram as gotas que alcançaram os seus pés, o gosto do sal vinha na brisa, depois um arrepio da água gelada que alcançara até os calcanhares, o medo do mar desconhecido que  começava a lhe tomar surgiu, mas assim como surgiu foi com o regresso da onda e não voltou. O movimento das ondas lhe fazia sentir um balanço harmônico, a água fria o corpo quente lhe tomava os sentidos. O mar não parava de crescer, as ondas já lhe tomava até a cintura, com os lábios molhados pelas águas deste imenso mar imenso Lúcia deitou-se, manteve seus olhos fechados, pois tinha a certeza que não teria outro  mar a lhe aparecer como naquela manhã. Lúcia sentiu que sua alma mergulhou no mar, seu corpo já não sentia o frio da água, o calor do corpo e antes que sua alma voltasse a flor da água do mar sentiu que o tempo parou, as águas também, um princípio de calmaria que foi tomada por uma grande luz que surgiu no alto e explodiu nas águas do mar. As pequenas ondas que ainda apareciam ao longe recuaram mais e mais, assim como o mar aos poucos foi se desfazendo, pouco a pouco até não mais haver um mar apenas aquele que lhe sussurrava ao ouvido.
Todo o corpo de Lúcia estava tenso, músculos, nervos e mente. Aquele que estivera ao seu lado já ali não estava, mantendo os olhos fechados sentiu que mordera em alguma coisa, sentia um gosto estranho na boca, algo macio e firme, não era grande, mas parecia curvo. Lúcia não tocou nem curiosidade teve, desvencilhou sem tocar os dedos e continuou deitada ao lado da moita de bambu, ouvindo o som do vento que cortava os bambus e dormiu com as lembranças daquele mistério.


  

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Um Olhar a Deriva


Capítulo IV

Corpos em Fúria

Delícia quando mudou-se para a rua do Brejo Raso era solteira e morava sozinha, seus pais moravam no nordeste e a filha mudara para estudar, Delícia convencera o pai a morar sozinha, mas teria uma ajudante, L’mour, filha de Dona Ricotinha, que mora no Bairro dos Arranca-tocos, na Rua do Pau-furado, nº100. L’mour era uma adolescente esperta no lavar, cozinhar, passar, calada quando não chamada mas sempre tinha assunto para horas a fio se alguém lhe puxasse a língua., Menina, alta, esbelta, pele muito branca e de cabelo muito cheio, avolumado, seu cabelo era seu maior pesadelo, não domava-o, pois ela era descendente de negros, pele muito clara, mas os cabelos eram rebeldes, o povo adorava seu cabelo, mas ela o odiava.
Delícia desceu a Rua Brejo Alegre em direção a venda do senhor Maldonado para fazer compras, naquele dia L’mour estava muito atarefada, lavando a roupa de cama, mesa e banho, no dia seguinte passaria todas. Delícia não percebera, mas comprou tanto que levar tudo sozinha era impossível, o funcionário do senhor Maldonado, Faísca, havia saído para fazer um entrega, enquanto Delícia pensativa olhava para as compras, chegou Fumaça, filho do vizinho da venda, avisando que Faísca caíra numa ribanceira com a bicicleta cargueira e demoraria, o pneu furou, o guidão entortou, o retorno do funcionário levaria um bom tempo.
Jacinto Lamas estava na venda, não estava bebendo nem comprando, entrara na venda há poucos minutos, se apresentou a Delícia com um gesto de respeito seguido de desculpas por aproximar-se dela, em seguida ofereceu para carregar as compras. Delícia olhou aquele homem muito forte, discreto no falar e de olhos que lhe incomodava, não ter percebido a presença daquele homem na venda lhe incomodava, uma mistura de indignação e frustação remoía parte do corpo abaixo do estômago. Seu corpo fora explorado pelos olhos daquele que ela não o percebera?
Resoluto, tomou todas as compras da senhora em seus braços e disse:
- Senhora, onde posso depositar seus pertences?
Delícia andou em direção ao vendeiro, pagou as compras e lhe disse que tivesse um bom dia, antes de retornar àquele que estava de posse de suas compras, despediu do proprietário da venda.
- Por favor, me acompanhe, o caminho não é longo, mas é íngreme e a rua não é plana, tome cuidado, não quero que o senhor se machuque por mim.
                Eles não seguiram em fila indiana, não muito próximo, o suficiente para um perceber o outro, seguiram calados, seus olhares eram fixos à frente, nada a esquerda ou a direita lhes chamavam a atenção, o ritmo das passadas era simplesmente simétrico, quando a perna direita dava um passo, a direita do outro também, direita direita, esquerda esquerda.
A cadência das pernas não era a mesma da respiração, curta e rápida de um, longa e lenta do outro, ora um era longo, ora era o outro. Subiram cinco quadras, porém, antes de terminar a quinta quadra, Delícia adiantou-se, passou à frente do seu ajudante. Esticou o braço direito e com o dedo indicador lhe mostrou qual a casa que ele deveria se dirigir. Lamas esperou o suficiente para a senhora abrir a porta, feito isto adentrou a casa, depositou as compras sobre a mesa da cozinha, a porta da entrada já estava fechada. L’mour estava lavando roupas no quintal ao fundo da casa.
Quando Jacinto Lamas virou, o inusitado aconteceu.
                Delícia levou-o para o quarto, e lá ficaram por quatro dias e quatro noites sem sair. L’mour percebera que já era hora de começar o almoço, entrou na cozinha por uma porta que liga com o quintal e viu as compras, por um momento ficou confusa, a patroa não lhe chamara ao chegar em casa com as compras, não lhe pedira para começar a preparar o almoço e não tinha ao alcance de suas vistas. Uma touca de cor vermelha na cabeça, vestido azul até os tornozelos, com um babado trabalhado a mão, as mangas eram longas de cor ametista, o vestido era justo o suficiente para delinear as curvas do corpo, um decote que esbanjava a saliência dos seios, dois pequenos relevos empurravam o tecido para frente.
                Após alguns segundos estática na cozinha, L’mour ouviu um baralho que vinha do quarto da patroa,  às vezes era um barulho da mola do colchão. Pode ser mola quebrada, pensou L’mour, a empregada respirava devagar e silenciosamente, seus ouvidos eram todos do quarto. Percebeu em pouco tempo que o pé da cama batia, lembrara que a cama precisou de um calço, pois tinha uma perna descompassada com as outras três, às vezes o barulho da mola era único, ora era acompanhado pelo toque-toque do pé-manco da cama; ora era só o toque-toque da cama. L’mour agora percebia outro som, algo que se batia, ritmados ou não este som sempre era acompanhado pelo toque-toque da cama ou o barulho da mola quebrada. Mas o que se chocava?
                “Só se é curioso na proporção de quanto se é instruído”. L’mour tinha lá seus conhecimentos. Pe-ante-pé  a curiosidade moveu-se em direção a fonte dos barulhos, muito precavida,  L’mour conhecia todas as frestas da casa, afinal pensava ela, a gente nunca sabe do amanhã, é melhor nos prevenir. Ela não parou perto da porta do quarto, passou direto e entrou no quarto ao lado, tirou as chinelas, pegou uma toalha, forrou uma escrivaninha que estava junto a parede que fazia divisa com o quarto da patroa. Subiu primeiro em uma cadeira, depois alcançou a escrivaninha com facilidade, tirou da parede imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, na pontinha dos pés espiou o outro quarto.
                L’mour contraiu os músculos das pernas, esfregou as mãos em seu ventre e mordeu o lábio inferior, sangrou, mas pouco, após algum tempo desceu da escrivaninha, passou pela cadeira vagarosamente e sentou-se na cama. A arrumadeira relaxara o corpo, limpara o sangue da boca, não esqueceu de voltar o quadro da santa para o lugar devido antes de sair do quarto. Seguiu direto para a cozinha e começou a preparar o almoço, triplicou na quantia.
                Enquanto cozinhava o som do nheco-nheco, o toque-toque e as batidas dos corpos foram se tornando engraçados para L’mour, o som junto com a sua imaginação lhe divertia a beça. A cozinheira montara com a harmonia que vinha do quarto e uma letra de sua autoria, acabou criando uma música. Por volta das 14:00h Delícia chamou a empregada pelo nome e esta respondeu lhe da cozinha:
                - Senhora!
                - Traga para nós o almoço, eu e Lamas vamos almoçar aqui na cama.
                L’mour improvisou uma padiola com duas rodas presas a um eixo equidistante ao centro do tabuleiro preso ao eixo. Levou de tudo um pouco que tinha pronto, arroz, feijão, carne de porco, quiabo, tomate verdolengo, abobrinha batidinha com ovos, duas pamonhas salgadas com linguiça, batatinha frita na banha de porco, uma jarra de suco de jaca. Quando L‘mour chegou no corredor do quarto viu várias roupas de cama jogada no piso, ela desviou-se das roupas, aproximou da porta do quarto que estava aberta e perguntou:
                - Posso entrar Dona delícia?
                - Claro L’mour! Adentre meu bem!
                A serviçal ficou estarrecida com o que viu, mas disfarçou perfeitamente, Jacinto e Delícia estavam nus! Lamas estava com as costa na cama, Delícia descansava uma perna entre as pernas de Jacinto, uma mão lhe afagava o peito, a outra deslizava pela barriga até ficar por debaixo da perna que descansava entre as pernas de Lamas. L’mour descarregou o repasto da padiola improvisada em cima de uma mesinha que estava ao pé da cama.
                - Empurre a mesinha para perto da cama L’mour. Disse a patroa derretendo em suor.
                A prestativa menina assim fez e ao sair do quarto ouviu a recomendação da patroa:
                - Quando for 17::00h traga um lanche para nós e as 20:00h você pode servir o jantar e ir deitar e não esqueça de pegar as roupas de cama sujas e lavar no mesmo dia e nos traga outras limpas todas as manhãs no horário do café.
                _ Sim senhora.
                Os dias seguiram conforme fora combinado. No começo era engraçado para L’mour, sempre aquele som toque-toque, nheco-nheco da mola quebrada e as batidas das pernas. O café da manhã, o almoço e jantar seguiam nos horários, não havia gemidos, mas à noite o som começava a incomodar a vizinhança, a janela do quarto de Delícia ficava junto a calçada e eles não fecham a janela permanecendo noite e dia aberta, assim sendo, o som daquela orquestra invadia todos os espaços possíveis. No final do segundo dia a empregada começou a se sentir incomodada com a situação. Ela sabia que no sábado cedo iria para casa, pensou que aquilo terminaria logo, mas não! No terceiro dia começou a se irritar, a vizinhança já olhava para a casa acintosamente, as pessoas já estavam espalhando um babado a respeito da situação, até que, no quarto dia aconteceu algo digamos “esbaforido” com a vizinhança.
O relógio da parede do quarto de L’mour marcava 11:30h da noite e a folhinha com uma imagem de paisagem informa que ainda era sexta-feira. A empregada e a vizinhança foram acordadas por um bramido estrídulo, forte longo e grosso, seguido por um uivo agudo que durou quase um minuto, na sequência ao urro e ao gemido veio um grito:
                - Essa esbórnia tem que acabar! Senhor, eu não aguento mais!
                L’mour surtara, tivera um ataque psicótico, descabelada, com olheiras fundas e com lábios trémulos adentrou no quarto da patroa e lhe chamou de rampeira, quenga no cio. Ninguém sabe por que, mas o pudor voltou a casa, naquela noite Jacinto Lamas levou L’mour até sua casa, adiantou lhe um mês de salário e lhe deu férias, não despediram, mas antes de Lamas dar as costas a moça ouviu:

                - Senhor, tudo tem limites, os senhores ultrapassaram os meus limites, mas não os julgo, beijo é um caminho sem fim.

sábado, 17 de maio de 2014

Um Olhar a Deriva

Capítulo III
Um Mistério

Jacinto Lamas, filho de escoceses, não conheceu bem a suas paragens de origem, de lá mudou-se ainda em tenra idade, mas o pouco que lá vivera assimilou algumas coisas da terra natal. Jacinto não dominava o português, de temperamento bonachão, muito branco, olhos azuis, sujeito alto e muito forte, não tinha o olhar desconfiado ou de olhar as espreitas, não. Homem discreto e respeitoso. Quando aqui chegou em 1941 foi morar no Bairro Dos Aloprados na Rua Dos Perdões, nº24, morou neste bairro por um bom tempo. Aos 25 anos se mudou para o bairro Da Salvação na Rua Da Degola, nº17 bem no fim da rua, rua de terra batida e sem calçada. A vizinha morava apenas com um filho de 8 anos de idade, conhecida por Dª Lúcia, seu filho era muito calado, andava bem vestido e estudava em escola boa, sua mãe sempre o deixava a meia quadra da escola, era um acordo de senhoras para o moleque poder estudar naquele colégio. Um dia um fato curioso aconteceu.
Num belo dia, Passional, filho de Dª Lúcia brigou na escola, moleque calado mas bom na troca de sopapos, esbordoou o filho de Dª Vulvelina, esposa do delegado Salpicão das Ventas Fortes.  Dª Lúcia procurou Jacinto Lamas e pediu-lhe ajuda para ajudar no imbróglio na escola. Jacinto Lamas vendo o desespero de DªLúcia não titubeou, foi às pressas até a escola conversar com o delegado, pois este já esperava pelo responsável do garoto que esbordoara seu filhinho Sustevaldo.
Lamas desceu bairro abaixo em direção à escola, quanto mais rápido Lamas descia, mais ideias à respeito de Passional vinha-lhe a cabeça, descera por uma viela chamada Cainanhum, virou na rua das Espinhelas, percorreu uns duzentos metros,  chegou na praça das Virgens de onde era possível avistar a escola que ficava na Rua Cavalo Queimado. A escola tinha dois andares, janelas azul arara, portais brancos com portas verde bandeira. Havia 30 salas, vinte de aulas, bibliotecas, auditório, sala de reuniões etc. Cada sala de aula tinha um nome, as salas do primário era dos coronéis do cacau, as demais variavam entre Ferreiras, Parreiras. Laranjeiras, a sala do Goiaba ficava ao lado da sala da Banana. A diretora era a senhora Martinha, baixa e de pernas curtas e grossas, andava sempre com uma régua em punho, media as travessuras dos alunos na base da palmatória, a criança decidia quantas reguadas levaria em caso de travessuras, deste que não fosse menos que 11.
Lamas entrou na escola um tanto esbaforido, mas resoluto à defender Passional. Ao adentrar a sala da diretora o moleque se encontrava erguido pelos colarinhos pelo delegado Salpicão das Ventas Fortes. O delegado era um homem muito forte, peito largo, pernas longas e fortes, as patelas eram muito avançadas, pescoço que lembrava gargalo de garrafa, cabeça pontiaguda devido a acidente; quando neném caíra do colo da mãe é o pai pisara na cabeça, comprimindo as orelhas, seu pai pesava muito e era surdo do lado esquerdo, a mãe, senhora Socorro do Perpétuo dos Santos. Gritara mais do que o suficiente, mas senhor Mamarracho Socorro dos Santos, não retrocedeu aos berros de Socorro do Perpétuo,  transpôs o empecilho que encontrava debaixo de seus pés, apoiou bem o pé, equilibrou-se e saiu da frente de Socorro.
                Salpicão das Ventas Fortes tinha os braços que não passavam da cintura, mas tinha força suficiente para segurar um touro. Jacinto Lamas olhou para o delegado, olhou para Passional e retornou o olhar para o delegado, quando os olhares se cruzaram, Lamas olhou para baixo, manteve no assolhado de madeira o olhar, levou a mão ao queixo, desviou um pouco a trajetória da mão para o lado direito e seguiu até a testa, com o olhar no piso de madeira jatobá, manteve a mão na testa, deslizou o polegar até a sobrancelha da esquerda e pressionou com o dedo médio a sobrancelha da direita, deslizou estes dedos até o centro e os manteve ali como se estivesse massageando um bindi; olhou para senhora Martinha e como se estivesse convidando a seguir seu olhar, olhou para Passional e para o delegado, ancorou o olhar no piso desbotado por tanto surrado pelos meninos.
Jacinto Lamas deslizou a mão da testa ate a nunca, pressionando a nuca, lançou um olhar para o teto pouco alumiado.
                Salpicão das Ventas fortes já não pressionava o colarinho do filho de Dª Lúcia, sentia um gosto estranho na boca, lhe faltava saliva, mas não era  água que buscava, de olhar vibrante tornara agora um olhar a deriva, resistiu que seu olhar de soslaio não cruzasse com da senhora Martinha, já não tinha forças para agarrar o moleque, mas não encontrava meios para tirar as mãos de um menino esquecido, na sala!
                Os olhares dos adultos naquela sala perseguiam uns aos outros no piso surrado, o silêncio os ligava, as janelas estavam abertas, uma poltrona estava esquecida, uma Remignton Rand de muito usada tinha algumas teclas sem letras, outras desbotadas, mas aquelas que não são do nosso alfabeto se encontravam perfeitas. Toda a mobília era em bálsamo, as canetas eram modelos anos 30. Há momentos que não há cadeiras perfeitas nem canetas que escrevem perfeitamente, mas o silêncio, este som que pode nos acompanhar em qualquer momento perfeitamente, às vezes, seu tempo não é perfeito devido as nossas imperfeições.
                - Posso ir pra sala? perguntou Passional.
                - Falta apenas quinze minutos para terminar a aula Passional, você pode voltar com o senhor Jacinto, se ele concordar meu filho.
                - Acredito que seria melhor para ele, senhora Martinha, e também porque sua mãe está preocupada como os acontecimentos chegaram até ela. Agradeço pela atitude da senhora.
                Despedidas não houveram entre aqueles que se encontravam na diretoria, Passional saiu primeiro com sua mochila improvisada, pois era feita de um saco de linho, a diretora informou ao delegado que buscaria seu filho,  este quando chegou na diretoria encontrou o pai sozinho, Sustevalvo estava com um lado do rosto avermelhado, a camisa rasgada nas costas devido a queda, Passional  esfregou-o no cimentado grosso. Susu, como era chamado pela mãe, não parava de passar a língua em um dente que se mostrava diferente em relação aos demais. Salpicão das Ventas Fortes num ímpeto abraçou o filho, passou lhe as mãos na testa, no cabelo, abraçou o filho e sorriu discretamente, sem reprimi-lo. O filho apoiou as duas mãos nos ombros do pai que havia agachado, olhou nos olhos do pai e sorriu. Incrivelmente rápido, o delegado arrancou o dente abalado com a mão, o susto foi tão que não houve dor, o filho do delegado apenas manteve os olhos no pai enquanto este jogava o dente do filho pela janela e falou:
                - Mantenha a boquinha longe dos ouvidos de sua mamãe, ou seu pai lhe arranca um rim.
                Sustevaldo de nada entendeu o que ocorrera entre ele e o pai, o sangue escorreu da boca, mas não chegou ao chão, gotejava no sapato, não foram mais que três gotas, pois o pai já levou o lenço à boca do guri. O delegado segurou firme o braço do filho e saiu à francesa.

Jacinto Lamas tinha 8 anos quando foi morar no Bairro Dos Aloprados na Rua Dos Perdões, em 1975 mudou-se para a Rua Brejo Raso no Bairro dos Aflitos para nunca mais de lá sair. A mudança foi algo fantástico, houve até um princípio de comoção, depois a comoção perdeu espaço para a indignação e em seguida sobrou apenas uma coisa que as pessoas diziam: esquisitice da juventude.

sábado, 10 de maio de 2014

Um Olhar À Deriva.

Capítulo II

O Entrevero

Amoroso Noites e Dias, negro alto, muito forte e sorridente para as mulheres, sempre de bom humor, morava no bairro das Batatinhas, perto, muito perto do bairro Dos Aflitos. Morava num pardieiro na Rua Dos Cachorros Loucos, uma moradia de dois quartos, a fossa ficava no fim do terreno, se lavava todos os dias com caneca, na frente de seu pardieiro havia um gramado, com vasos de hortênsia e beijos brancos, as mulheres gostam de flores e estas flores se mantinham na mente de Amoroso Noites e Dias, porque as mulheres gostavam de recebê-las.
Noites e dias Amoroso trabalhava, homem muito calmo quando com uma peixeira na cintura, muito alegre quanto tomava umas cachaças, não era valentão, mas não fugia-da-raia, se brigou, brigou pouco, dizem que foi uma vez, foi o bastante, não se tem notícias do seu agressor, uns dizem que foi com o Rego Penteado, mas Rego Penteado foi embora e ninguém sabe se foi pra cima ou pra baixo. Zé Prego deu uma versão, mas o povo não gostava dessas notícias no bairro das Batatinhas, a espelunca do boteco de Zé Prego ficava no encontro das ruas, Dos Porretes Armados com Rua Dos Beiços Amassados, foi pela Rua Dos Beiços Amassados que Jabutão esquivou-se pela madrugada após o entrevero que tivera com Amoroso Dias e Noites.
Zé prego era o dono de um bar de nome Bar do-Pé-Inchado, o balcão era em forma de L, a parte menor virada para a frente da rua, a parte maior fazia divisa com a parte maior do bar. Bem ao fundo do bar ficavam as mesas para o carteado, no encontro das paredes do lado direito bem no fundo, atrás da mesa do carteado ficava a mesa do jogo do bicho. Contando com a mesa do carteado e do jogo do bicho haviam mais sete mesas. Cachaça de várias marcas, conhaque apenas de duas whisky de marca desconhecida, alguns pratos de tira gosto, peixe, ovo, quibe, quibe com ovo, , linguiça, pé-de-porco, asa de frango. Os clientes gastavam seu dinheiro e tempo no bar à noite, alguns pinguços inveterados passavam a tarde também.
Sexta-feira o bar estava lotado, carteado, mesas cheias muito conversa e falação alta. Jabutão era um sujeito de paz, mas quando bebia, às vezes, estranhava e se metia a besta a fazer gracinhas com a pessoa que achava ser desconhecido. Naquela noite, Rego Penteado mamou o suficiente para chapar o melão e achar que já estava no ponto pra fazer das suas. Amoroso Noites e Dias chegou ao bar por volta das 11:25 da noite,  com ele uma mulher, eles foram para o balcão, apoiou um cotovelo no balcão e com o braço direito enlaçou a cintura da cândida mulher que ele trouxera. Era uma mulher muito simpática, esbelta, pele bronzeada, de pernas bem grossas do joelho acima, boca grande e lábios carnudos, seios fartos, olhos cor de mel, um vestido colado ao corpo de cor amarelo com listras verticais de cor pink e verde, alternadas, o sapato tinha um salto muito alto, perto do decote do vestido havia um broche de um arqueiro em um metal de cor ouro envelhecido.
Rego Penteado ao ver Amoroso dirigiu-se até ele com os passos a ziguezaguear, suando pinga levou a mão até a cintura de Amoroso e juntou a ele, abraçado a cintura de Amoroso e com uma perna por detrás do amigo falou num tom que muitos ali podiam ouvir:
_Hoje você vai tomar atrás do saco!
Amoroso Noites e Dias virou para ficar de frente para Rego Penteado, enquanto Amoroso fica de frente para Rego Penteado, ouviu do colega de bar novamente:
_Você gosta de tomar detrás do saco, então vai tomar hoje e é comigo.
A donzela que acompanhava Amoroso não gostou da brincadeira, achou até ofensivo, uma afronta, mas não sabia que se tratava de uma cachaça de nome Atrás do Saco. Pegou Rego Penteado pela camisa e puxou-o com força, devido o fato de Penteado estar já mamado de pinga este deixou o corpo ir direto à moça, a donzela de nome Esmeralda Estilingue não suportou o peso do corpo que puxara, Esmeralda e Rego foram direto ao chão, enquanto Esmeralda Estilingue ficou inerte de costa no chão com os joelhos dobrados, Rego Penteado ficou entre as pernas da moça.
Um burburinho assolou o bar, depois vieram os murmurinhos para depois uma sonora gargalhada quando Penteado chamou a companheira de Amoroso de vampira desdentada, Esmeralda deu uma mordida no peito de Penteado. Ela não tinha os quatro dentes da frente, os dois incisivos frontal e os dois incisivos lateral, na arcada dentaria superior, os dentes mais avançados eram os caninos.
Amoroso Noites e Dias não suportou a cena, a ofensa e as gargalhadas, pegou Rego Penteado pelo fundo das calças e esbofeteou o colega, foram vários safanões no pé d’ouvido, de tanto apanhar Penteado não parava em pé, a labirintite lhe tirou o equilíbrio, por fim, Amoroso levou Rego para fora do bar e lhe deu um último pontapé nos fundilhos. Rego Penteado desceu a Rua dos Beiços Amassados e nunca mais foi visto.

Esmeralda Estilingue  levantando um tanto quanto sem graça, infelizmente ao cair o vestido passou por uma ferpa e rasgou, deixando o prolongamento da perna esquerda exposta, devido à peça intima que ficava debaixo do vestido ser curta, toda a anca do lado esquerdo estava a mostra, encabulada sentou-se numa cadeira que estava próxima, e ali permaneceu sentada até Amoroso Dias e Noites lhe providenciar um vestido solícito a uma dama que acompanhava um frequentador do bar. Esmeralda e Amoroso tomaram uns goles de cachaça Chora no Pau,cachaça boa e muito apreciada por todos.  Naquela noite o nome da cachaça não foi pronunciado, apenas servida. Às 2:00 da manhã Amoroso pegou uma Chora no Pau e Estilingue e saíram do bar com destino ao seu pardieiro. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Um Olhar a Deriva.

Capítulo I

Uma Dúvida.

O dia estava muito úmido, pouco sol, às vezes um facho de luz sim, às vezes não, mais para não e menos para sim, as nuvens eram muitas e de cor pálida, o céu parecia que encolhera e abraçava a cidade, todas as nuvens eram muito densas e pesadas, o número de nuvens que estacionavam sobre a cidade era maior que o número de nuvens que zarpavam.
A rua estava escorregadia, rua das antigas, pavimentada com pedras-preta, esta já fora um dia uma rua quase perfeita, as pedras se encaixavam em detalhes calculados até nos milímetros, uma ladeira íngreme, a calçada feita em pedra-rosa, calçada estreita.
A Rua Brejo Raso fica no Bairro dos Aflitos, bairro calmo, iluminação pobre, ficava a um tiro de arco da Praça Filhos de Zeus, com mais dois tiros de pedras fica a capela Coração de Jesus no centro da cidade. A rua hoje não é mais quase perfeita, algumas pedras elevaram, outras se afastaram, ali abaixaram e lá giraram. Às vezes o cavalo tropeça, o coche balança, o cocheiro irrita, o chicote estala, o passageiro calcula o quanto falta para chegar ao destino.
Neste dia, 6 de junho de 69 nasceu Oscar Alho das Lamas, na Rua Brejo Raso numa casa de paredes de cor areia, telha de barro, piso de madeira, os quartos não eram muitos, mas não menos de três, a sala de visita não tinha fotografias, mas quadros de afrescos eram três, Diotima, Aspásia a cortesã e Frigga todas em tamanho real e um guache de Afrânio Pessoa Castelo Branco perto da porta que da passagem à sala de jantar.
Oscar Alho estava no regaço da mãe, ela estava de braços nus, a pele arrepiava devida uma corrente de ar gélido que rompia pelas frestas de uma janela fechada com desleixo. O nascimento de um ser que representa esperança e inocência pode ser visto como um fruto de malícia ou pecado?
Delícia das Costas Lamas, a progenitora, deixou os olhos vagarem pelo corpo do rebento, um tanto quanto inerte, bracinhos roliços e curtos, um peito alto, todavia estreito, pernas longas e fortes, pés enormes, dedos cumpridos, o rosto não é comprido mas também não é de todo arredondado, olhos negros, nariz não pontiagudo, lábios carnudos e largos, as mãos eram tão grandes quantos os pés, a criança era perfeita, bonita - as mães sempre acham suas crias lindas - a pele não era branquinha branquinha, não, uma pele cor bege claro, suave, parecia pele de pêssego, sedosa.
Não houve choro, lágrimas ou soluços, apenas engolia algo, sem tirar os olhos de Oscar Alho disse em voz baixa, quase sussurrando aos ouvidos daquele serzinho que tinha nos braços:
- Deus é pai, não é padrasto, tenho Deus como testemunha e tenho a sua luz que me alumia toda a minha paz.

A tez de Delícia era branca, olhos pequenos e verdes, lábios finos, boca miúda, dentes sempre brancos como uma mandioca descascada, braços longos não muito fortes, pernas roliças que combinavam com suas ancas firmes, cabelos longo e muito preto, pescoço longo. O olhar de Delícia a diferenciava das demais mulheres da cidade, seu olhar era assim meio esguelhado, era sempre altiva ao caminhar, cabeça ereta, mas os olhos fixos no caminho, atenta a tudo à sua volta, as mulheres percebiam Delícia a tudo olhar, mas os olhares nunca se encontravam, assim era com os homens, olha a todos, mas nem todos interceptam seu olhar, apenas aqueles ou aquele que ela permitia.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Capitalismo X Socialismo = Estultice



            Constantemente ouço pessoas debatendo a respeito de capitalismo e socialismo, o interessante nisto é que as pessoas discutem como se fossem coisas iguais, misturam questões políticas com economia, liberdade com opressão, ideal de vida e horizontes possíveis. Realmente são diferentes, capital e sociedade são coisas simples e distintas uma da outra, como dizem, água e óleo, branco e preto, vamos caminhar juntos no raciocínio e distingui-las.
            Capital, capitalismo ou capitalizar resume-se quando alguém junta dinheiro, ou seja, capital é acumular dinheiro.
            Social, sociedade, socialismo é um modelo de política, aquele que governa em nome do socialismo, prioriza algo que é voltado para a sociedade. Isso é teoria!
            Dizem que há países socialistas que não exercem o capitalismo. Engano. Qual país socialista ou comunista não é capitalista? Cuba! Errado, Cuba negocia com outros países por meio de capital, ou seja, com dinheiro. Rússia! Errado, se olharmos um dos períodos mais fechados da Rússia, por exemplo, de Lenin a Leonid Brejnev, a Rússia negociava neste período também com outros países através de capital, ou seja, dinheiro, portanto, todo governo neste planeta é capitalista, se assim é, qual a diferença entre capitalismo e socialismo?
            Precisamos retroceder no tempo e rever o bê-a-bá desse assunto para clarear mentes e cérebros. Não vamos neste texto decifrar ou elucidar como chegou-se aos valores das mercadorias em relação às moedas. Calma leitor amigo, entrar nesses detalhes leva muitas pessoas bater a cabeça na parede devido a uma crise psicótica, e eu não quero meus leitores surtando e quebrando suas cabeças, vamos ao básico.
            Imagine o seguinte, Pedro tem um pomar de laranjeiras, Augusto também, eles vendem as laranjas por R$1,00 real cada; um dia, Augusto faz uma proposta para Pedro;
- Pedro, se você vender laranjas para mim, para 4 laranjas que você vender eu lhe pago com uma, ou com R$1,00 real.
Pedro pensa, uau! Não precisarei colher, cuidar das pragas, capinar e muito menos pensar se venderei todas.
            O custo da laranja para augusto é de R$ 0,25 centavos, mais R$ 0,25 centavos que ele precisa pagar a Pedro, o preço final da laranja para Augusto é de R$ 0,50 centavos. Os outros R$ 0,50 centavos, podemos chamar de lucro. Esqueça a bobagem da mais-valia, Augusto está capitalizando, ou seja, fazendo capital! Então leitor amigo, faço aqui uma paradinha obrigatória, ou um pit stop se preferir: toda negociação que envolve dinheiro é conhecida por capitalismo. Capitalismo é um modelo “econômico”, nada mais, nada menos, não tem nada haver com socialismo.
Nos dias atuais temos Cuba enviando médicos para o Brasil porque precisam atender um número maior de cidadãos. O número de médicos “às vezes” não é suficiente, o Brasil paga em dinheiro uma parte aos médicos e outra parte a Cuba. A Rússia vende gás para a Europa, e recebe em “dinheiro”. Todos os funcionários sempre recebem em dinheiro, independente do sistema econômico ou do modelo político.
Por que as pessoas confundem esses assuntos? Devido a outro fato que anda junto com estes dois, mas a maioria desconhece. Como os governos surgiram e por que? Observe que a história é longa, mas é possível ter uma ideia clara dos fatos. Vamos partir do exemplo de Pedro e Augusto. As pessoas que agiam como Augusto começaram a juntar muito dinheiro, ao mesmo tempo estes começaram a reduzir o valor da comissão ou da porcentagem daqueles que só vendiam, e com o tempo as pessoas como o Augusto se tornaram proprietários de terras, pontos de vendas, grandes quantias de dinheiro guardadas em bancos.
As pessoas que agiam como Pedro perceberam que seus ganhos, ou salários, estavam diminuindo. Diante das desigualdades surgidas, tiveram a ideia de formar um governo para regulamentar um grupo, ou uma comunidade, ou uma sociedade. A finalidade da criação de um governo é para garantir os direitos e deveres de cada membro do grupo, ou da sociedade. É neste ponto que a história escreve a verdade de forma sub-repticiamente: os governos foram criados para proteger os cidadãos que tem propriedade e dinheiro, a finalidade do governo não é de ajudar ou proteger aqueles que nada têm, pois estes, como nada tem, não tem direito a nada.
Esta forma muito simplória de descrever certas coisas pode parecer tola e até infantil. Acontece que com o passar dos tempos, as formas de camuflar a realidade e as intenções dos governos foram sendo cada dia melhor trabalhadas. Uma forma de confundir a massa foi criar a ideia de classes, ou a luta de classes, trabalhadores, patrões e governos. Parece brincadeira, mas tem gente, gente do PT, PCB entre outros, que acredita que patrões não são trabalhadores, criam uma ideia de antagonismo esdrúxulo, geralmente os patrões trabalham mais que o operário, pois além de administrar, eles têm que fazer investimentos, e há o risco de perder, pois o mercado às vezes é complexo.
Todo governo dito democrático, sempre terá um representante do povo, mas este representante sempre será manipulado pelos que tem o capital, se for um governo comunista ou socialista, defenderá os interesses de um grupo ou de algumas famílias, mas nunca os interesses da maioria. Um fato que passa despercebido aconteceu numa prefeitura. O prefeito apresentou uma proposta de cargos e salários, o plano colocava classes diretamente em pé-de-guerra, para uma classe dava 100% de reajuste, para outra 10% e para piorar, classes distintas no mesmo nível, por exemplo, uma classe que gera recursos diretos com uma classe que não gera recurso. A similaridade entre estes era o nível escolar, entrementes, havia situação de classes com nível escolar similar, mas com diferença de até 70%! Ora-bolas, enquanto os funcionários se debatiam entre si, o prefeito saia do cenário, protelando decisões e mudanças e adiando para os próximos anos. Ou seja, o governo administra pensando no mercado e não em quem está perdendo ou nada tem a oferecer para o mercado.
A dinâmica do capitalismo é manter o dinheiro em poder de poucos, concorrência entre todos, todos contra todos. Para ganhar precisa vender mais, para ser bom tem que vender mais que o concorrente, as coisas tendem a parecer uma bola de neve montanha  abaixo, o problema que pelo caminho da bola de neve sempre tem uma árvore.
A ideia do socialismo seria redistribuir o dinheiro em um número maior de cidadãos, dar condições de igualdade para o desenvolvimento humano, ou seja, escolas e universidades de boa qualidade para todos, assistência médica e odontológica de boa qualidade para todos, empregos para todos ou auxilio para os desempregados...
Todo governo sabe que para se manter no poder tem que prometer sonhos, porque nós humanos vivemos de sonhos.



domingo, 9 de março de 2014

Todos contra os Garis





A greve dos Garis da cidade do Rio de Janeiro foi uma luta democrática, uma categoria que, entre tantas outras, venceu de forma justa, leal e deu exemplo para as demais. Enquanto o preconceito ainda resiste em nossa sociedade em relação a esses trabalhadores, foram eles quem saíram vitoriosos sobre várias categorias que se acham acima desta.
A greve traz à tona fatos importantes e lamentáveis, não por parte dos Garis, mas da parte de onde nunca deveria vir. Elencarei os fatos não em ordem, mas dentro do contexto que foram surgindo dentro do período que sucedeu a greve.
A negociação dos Garis não teve a participação direta do sindicato, foi feito entre o governo, Tribunal Regional do Trabalho e Garis, este fato mostra que os sindicatos no Brasil, não têm mais a força em sensibilizar seus associados, pois mostra que, com a chegada de Lula ao poder, o sindicato é um meio, não um fim.
Em Uberlândia Minas Gerais, algo ocorreu semelhante, no mês de novembro de 2013, o prefeito Gilmar Machado (PT) apresentou um plano de cargos e salários, promessa de campanha, onde os advogados teriam 107% de aumento, mais bônus, arquitetos em torno de 90%, mais bônus, e os demais 10% e um bônus de 100 reais, o centro administrativo da prefeitura foi tomado por um número enorme de funcionários fazendo um apitaço, revezando, ora no centro administrativo ora na Câmara Municipal. Uma comissão foi montada para conversar com o prefeito, detalhe: não havia nenhum representante do sindicato dos servidores, condição exigida pela comissão que foi escolhida entre os manifestantes. Luís Inácio Lula da Silva, fez dos sindicatos uma extensão das mazelas dos políticos. A sociedade está vendo e a reação está acontecendo.
É de conhecimento de todos que a Rede Globo de televisão, sempre, sempre esteve do lado do governo, condição única, grandes publicidades do governo na rede, e benefícios debaixo dos panos, O Jornal Nacional omitiu informações verdadeiras para divulgar informações que caluniavam os Garis, o ponto é que a Globo não está sozinha nesta empreitada, jornais impressos também estão sabotando informações verdadeiras em relação à greve e divulgando informações de interesse do(s) governo(s). Num momento de transformação em que o Brasil se encontra, a maior ferramenta que o povo tem são os jornais impressos (a Globo o povo não confia), se estes jornais se alinharem com os governantes e suas vontades como este país vai melhorar?
Os governos federal e estaduais tem ciência do que pode vir a acontecer no período da Copa, o que eles não sabem, e o povo também não, é a adesão que possíveis manifestações podem vir a acontecer e qual será o volume e qual direção irá tomar, diante dessas dúvidas o governo está gastando muito com equipamento de repreensão aos manifestantes, ou seja, o governo está indo para uma frente de batalha, enquanto o povo está se preparando para ser ouvido, pois até os dias de hoje o governo não funcionou democraticamente, somente sob pressão.
No período militar os manifestantes eram tratados como desordeiros e comunistas, a repreensão era DOI-CODE seguido de torturas e a Globo caladinha, mas os tempos são outros, “de certa forma” a tortura já não é mais ferramenta dos governantes, os manifestantes de hoje, não conheceram as torturas e perseguições como no passado, pais e avôs sim. Os manifestantes de hoje têm certos direitos garantidos e estão indignados com os governantes, assim como os Garis.
Os Garis reivindicavam R$1.200,00, saíram das negociações com R$100,00 a menos, acredito que foi justo, uma vez que os Garis consideraram uma grande vitória, todavia, essa vitória é a vitória de pessoas que tem o direito de viverem de forma um pouco mais digna, o governo estatual não reconhece isto, negociou sob pressão de uma cidade suja, de um serviço essencial, mesmo tendo como aliados os telejornais e jornais impressos, nada adiantou e a pressão só tende a aumentar devido a algo que está se tornando “quase” impossível de controlar: as redes sociais. As notícias do mundo nos jornais e telejornais, não são as mesmas que temos acesso pelas redes sociais. As pessoas não precisam mais de um computador ou laptop, basta um celular, talvez esse fato esteja fazendo os jornais impressos e telejornais darem seus últimos suspiros.
Os cidadãos de hoje não precisam mais aturar um William Bonner com suas informações decoradas e manipuladas, as pessoas em qualquer lugar da cidade podem saber melhor fazendo pesquisas no Google, blogs, sites ou nas redes sociais.







terça-feira, 4 de março de 2014

Direção e Álcool


Direção e Álcool

O número de vítimas no trânsito devido a motoristas bêbados, se preferirem alcoolizados, é grande e a lei-seca não tem diminuído de forma significativa, pelo menos na opinião deste que vos escreve não!
Acredito que o tema de dirigir alcoolizado deveria ter outra perspectiva em relação a forma que atualmente é tratada. Afinal há bêbados e bêbados, ou seja, assim como as pessoas são díspares os quem fazem uso de bebidas alcoólicas também o são.
Há elementos neste tema que não são aprofundados devidamente, são estes:
              “Intencionalidade”,
                         “Consciência” e
                                     “Relatividade”.
Os juristas ou os advogados geralmente, 99,99% deles, falam em intencionalidade como uma tábua de salvação para seus clientes, é muito simples alegar que, o motorista bêbado quando saiu com o veículo não tinha a intenção de matar ninguém, há advogados que alegam azar do pedestre ou da vítima estar no local errado na hora errada, o motorista irresponsável, por estar feliz da vida e com o melão chapado de cachaça, apenas fez uso do veículo para voltar pra casa ou outro lugar, às vezes até para lugares ignorados pelo mesmo.
É mais ou menos assim, se alguém perguntar para o motorista alcoolizado ou para os políticos envolvidos no mensalão, tipo: José Genoíno vocês tinham a intenção de cometer alguma ilegalidade? Não. Eles vão negar!
De boas intenções o inferno está lotado e continua chegando cada vez mais pessoas ilustres na mansão do pai-da-mentira. Acredito que falar em intencionalidade é a melhor coisa para os bandidos, para os mercenários, para as pessoas que tem muito dinheiro para contratar advogados, competentíssimos e bem afeiçoados às barras dos tribunais. Pergunto ao leitor, qual é a intenção de um bêbado ao dirigir um carro, ou motocicleta, ou bicicleta, avião, navio ou até mesmo um patinete? Qualquer resposta é válida, menos a resposta que afirma que o pé-de-cana queria machucar alguém, ou seja, o bebum só quer se divertir, geralmente o meliante nem percebe algo elástico e viscoso a descer no canto do encontro dos lábio superior com o lábio  inferior.
Qual é a definição de intencionalidade? Lembro que este termo foi e é muito analisado pela filosofia, sendo que todos os demais cursos buscam na filosofia seu fundamento e não o inverso, portanto, intencionalidade tem origem na filosofia:
“Referência de qualquer ato humano a um objeto diferente dele: por exemplo, de uma ideia ou representação à coisa pensada ou representada, de um ato de vontade ou de amor à coisa querida ou amada etc[1],”
Qualquer adaptação feita em relação ao termo intencionalidade, a essência do entendimento será sempre o definido pela filosofia, portanto, falar em intencionalidade pra justificar uma atitude ou uma ação é simplesmente um disparate, uma aberração. Todavia, há um fator preponderante quando usamos este termo que os advogados ou a lei não faz ligação de forma sucinta!  O que é! A “consciência”! Toda consciência é consciência de alguma coisa, uma consciência vazia não move corpo e mente, é como se uma pessoa quisesse fazer conta sem conhecer os números e os símbolos de mais, menos, dividir, multiplicar, etc.
Toda intenção parte de uma consciência, ou seja, conhecimentos que a pessoa traz ao longo da vida, suas experiências cotidianas, aprendizado em escolas, leituras, debates e reflexões. Nossa consciência é um balaio de ideias e imagens representativas, sempre que nós pensamos nossa consciência pensa o que estamos pensando[2], por exemplo: coloco o dedo em um metal quente, queimo o dedo, primeiramente associo os acontecimentos, depois busco as razões, por que o metal fica quente, por quanto tempo, porque contraio os dedos e assim sucessivamente, a consciência retém a experiência, a memória os fatos, devido a este encadeamento quando chegamos perto de um metal, após uma experiência como a citada acima, primeiro nos certificamos do estado em que se encontra o metal, se há calor nas proximidades do metal, se há calor suficiente para se queimar.
Por que toda esta digressão? É na consciência que devemos nos apegar para avaliar o sujeito que se diz mordido pela cachaça, e não a sua intenção, advogados é que adoram essa janela arrombada no tão propalado código penal brasileiro. Ora-bolas! Existe consciência de ações de um cachaceiro, de um beberrão, ou seja, esta consciência só pode acontecer enquanto o temulento não estiver bêbado, portanto, a pessoa sabe o que o leva a ficar bêbado, o sujeito não pode alegar intencionalidade se ele está bêbado.
Um fato curioso que há no direito, “ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo”, pra qualquer cidadão que é honesto jamais usaria isto, os mercenários e advogados sim. Vejamos, o sujeito é parado numa blitz, ele bebeu e se nega a fazer o teste do bafômetro, não fazer é um direito dele, mas, se ele não bebeu, por que recusar a fazer! Entrementes, se ele bebeu e se nega a fazer o teste é óbvio que ele bebeu! Por que a lei não é elaborada de forma que, negar é direito do cidadão, mas é enquadrado como se tivesse bebido!
Relatividade, E=mc², não! Não é essa leitor amigo, acredito que entre as pessoas que bebem, há uma relatividade, em relação quanto à absorver bebidas alcoólicas; há pessoas que bebem uma caixa de cerveja ou um litro de bebida destilada e dirigem normalmente, voltam para casa da mesma maneira que foram ao local para beber; entrementes, há pessoas  que ficam bêbadas, chapam o melão com um único copo, seja de cerveja, ou de bebida destilada!
Negar o direito de dirigir para as pessoas que tem resistência com o álcool não seria ilegal? Quem garante que todas as pessoas que dirigem embriagadas vão bater ou matar pessoas? Existe a possibilidade que vão bater ou atropelar pessoas, ou bater e atropelar pessoas ao mesmo tempo? Sim, claro! Mas é possibilidade e não fato, fato é 2+2=4 em qualquer parte do planeta isto é fato, todavia posso dizer: hoje o dia está ensolarado, 45ºC, mas amanhã vai chover e a temperatura vai cair para -10º, existe essa possibilidade? Sim! Vai acontecer? Talvez!
Creio que há outra perspectiva para esse problema. As pessoas poderiam dirigir alcoolizadas (se quiserem é claro), mas com uma única condição, se a pessoa se envolver em qualquer tipo de acidente em que esteja dirigindo o veículo, responderia ao processo preso, ficaria preso até o final do processo ser julgado. A pessoa só sairia da cadeia após pagar todos os danos causados pelo acidente, se houver morte, cadeia sem progressão de pena e pena mínima de 15 anos, e quando sair da cadeia, ficar no mínimo 2 anos sem habilitação.
Parto do seguinte princípio, as pessoas têm “consciência” que a bebida tira os nossos reflexos, nossa concentração diminui, que a possibilidade de bater fica maior, portanto, a pessoa que pega o carro ou moto ou lambreta seja lá-o-que-for, tem que assumir o risco, e responder por suas escolhas, os homens vivem de exemplos e não de conselhos, se as pessoas que cometessem infrações no trânsito fossem punidas com rigor, todos pensariam melhor, a consciência de perder a liberdade falará mais alto. Exemplo! Por que há turistas americanos, ingleses, alemães, espanhóis que buscam o turismo sexual no Brasil e principalmente com menores? Porque lá nos países deles as penas são pesadíssimas, a lei é rigorosa, ou seja, não há esse papo que alemães, americanos e espanhóis são mais cultos que nós, não fazem lá por medo da lei e não porque tem consciência que é errado! Eles não respeitam a lei, eles a temem!
Há pessoas que poderiam achar uma irresponsabilidade permitir que as pessoas que ingeriram bebidas alcoólicas possam dirigir, não vejo dessa forma, todos os dias corremos risco de morte[3]; há pessoas que morrem enquanto estão dormindo, há aqueles que escorregam da cadeira caem e morrem, há pessoas que morrem por se preocuparem demais, já há outros que um caminhão passa por cima e não morrem, caem do quinto andar de um prédio e não morrem, outro dia uma barra de ferro de construção atravessou o crânio de um operário e este não morreu, a vida é mesmo um mistério, portanto, se alguém sair de carro bêbado e atropelar alguém vejo como fatalidade, mas desta fatalidade deve ocorrer  a punição. O que não é fatalidade é alguém atropelar ou atropelar e matar e este não ser nem condenado e não indenizar a família da vítima.




[1] Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano - Editora Martins Fontes – 2007 – pg 662
[2] A consciência tem um observador ou “eu” sempre que temos ou adquirimos algo em nossa mente o “eu” ou o observador faz uma análise da análise, nossa consciência é como um espelho, sempre reflete o que há à sua frente
[3] Uma vez alguém me disse, fulano correu risco de vida. Pensei fulano estava morto, afinal, quem está vivo corre o risco de morrer e quem está morto corre o risco de viver! Ou não é assim?