sábado, 10 de maio de 2014

Um Olhar À Deriva.

Capítulo II

O Entrevero

Amoroso Noites e Dias, negro alto, muito forte e sorridente para as mulheres, sempre de bom humor, morava no bairro das Batatinhas, perto, muito perto do bairro Dos Aflitos. Morava num pardieiro na Rua Dos Cachorros Loucos, uma moradia de dois quartos, a fossa ficava no fim do terreno, se lavava todos os dias com caneca, na frente de seu pardieiro havia um gramado, com vasos de hortênsia e beijos brancos, as mulheres gostam de flores e estas flores se mantinham na mente de Amoroso Noites e Dias, porque as mulheres gostavam de recebê-las.
Noites e dias Amoroso trabalhava, homem muito calmo quando com uma peixeira na cintura, muito alegre quanto tomava umas cachaças, não era valentão, mas não fugia-da-raia, se brigou, brigou pouco, dizem que foi uma vez, foi o bastante, não se tem notícias do seu agressor, uns dizem que foi com o Rego Penteado, mas Rego Penteado foi embora e ninguém sabe se foi pra cima ou pra baixo. Zé Prego deu uma versão, mas o povo não gostava dessas notícias no bairro das Batatinhas, a espelunca do boteco de Zé Prego ficava no encontro das ruas, Dos Porretes Armados com Rua Dos Beiços Amassados, foi pela Rua Dos Beiços Amassados que Jabutão esquivou-se pela madrugada após o entrevero que tivera com Amoroso Dias e Noites.
Zé prego era o dono de um bar de nome Bar do-Pé-Inchado, o balcão era em forma de L, a parte menor virada para a frente da rua, a parte maior fazia divisa com a parte maior do bar. Bem ao fundo do bar ficavam as mesas para o carteado, no encontro das paredes do lado direito bem no fundo, atrás da mesa do carteado ficava a mesa do jogo do bicho. Contando com a mesa do carteado e do jogo do bicho haviam mais sete mesas. Cachaça de várias marcas, conhaque apenas de duas whisky de marca desconhecida, alguns pratos de tira gosto, peixe, ovo, quibe, quibe com ovo, , linguiça, pé-de-porco, asa de frango. Os clientes gastavam seu dinheiro e tempo no bar à noite, alguns pinguços inveterados passavam a tarde também.
Sexta-feira o bar estava lotado, carteado, mesas cheias muito conversa e falação alta. Jabutão era um sujeito de paz, mas quando bebia, às vezes, estranhava e se metia a besta a fazer gracinhas com a pessoa que achava ser desconhecido. Naquela noite, Rego Penteado mamou o suficiente para chapar o melão e achar que já estava no ponto pra fazer das suas. Amoroso Noites e Dias chegou ao bar por volta das 11:25 da noite,  com ele uma mulher, eles foram para o balcão, apoiou um cotovelo no balcão e com o braço direito enlaçou a cintura da cândida mulher que ele trouxera. Era uma mulher muito simpática, esbelta, pele bronzeada, de pernas bem grossas do joelho acima, boca grande e lábios carnudos, seios fartos, olhos cor de mel, um vestido colado ao corpo de cor amarelo com listras verticais de cor pink e verde, alternadas, o sapato tinha um salto muito alto, perto do decote do vestido havia um broche de um arqueiro em um metal de cor ouro envelhecido.
Rego Penteado ao ver Amoroso dirigiu-se até ele com os passos a ziguezaguear, suando pinga levou a mão até a cintura de Amoroso e juntou a ele, abraçado a cintura de Amoroso e com uma perna por detrás do amigo falou num tom que muitos ali podiam ouvir:
_Hoje você vai tomar atrás do saco!
Amoroso Noites e Dias virou para ficar de frente para Rego Penteado, enquanto Amoroso fica de frente para Rego Penteado, ouviu do colega de bar novamente:
_Você gosta de tomar detrás do saco, então vai tomar hoje e é comigo.
A donzela que acompanhava Amoroso não gostou da brincadeira, achou até ofensivo, uma afronta, mas não sabia que se tratava de uma cachaça de nome Atrás do Saco. Pegou Rego Penteado pela camisa e puxou-o com força, devido o fato de Penteado estar já mamado de pinga este deixou o corpo ir direto à moça, a donzela de nome Esmeralda Estilingue não suportou o peso do corpo que puxara, Esmeralda e Rego foram direto ao chão, enquanto Esmeralda Estilingue ficou inerte de costa no chão com os joelhos dobrados, Rego Penteado ficou entre as pernas da moça.
Um burburinho assolou o bar, depois vieram os murmurinhos para depois uma sonora gargalhada quando Penteado chamou a companheira de Amoroso de vampira desdentada, Esmeralda deu uma mordida no peito de Penteado. Ela não tinha os quatro dentes da frente, os dois incisivos frontal e os dois incisivos lateral, na arcada dentaria superior, os dentes mais avançados eram os caninos.
Amoroso Noites e Dias não suportou a cena, a ofensa e as gargalhadas, pegou Rego Penteado pelo fundo das calças e esbofeteou o colega, foram vários safanões no pé d’ouvido, de tanto apanhar Penteado não parava em pé, a labirintite lhe tirou o equilíbrio, por fim, Amoroso levou Rego para fora do bar e lhe deu um último pontapé nos fundilhos. Rego Penteado desceu a Rua dos Beiços Amassados e nunca mais foi visto.

Esmeralda Estilingue  levantando um tanto quanto sem graça, infelizmente ao cair o vestido passou por uma ferpa e rasgou, deixando o prolongamento da perna esquerda exposta, devido à peça intima que ficava debaixo do vestido ser curta, toda a anca do lado esquerdo estava a mostra, encabulada sentou-se numa cadeira que estava próxima, e ali permaneceu sentada até Amoroso Dias e Noites lhe providenciar um vestido solícito a uma dama que acompanhava um frequentador do bar. Esmeralda e Amoroso tomaram uns goles de cachaça Chora no Pau,cachaça boa e muito apreciada por todos.  Naquela noite o nome da cachaça não foi pronunciado, apenas servida. Às 2:00 da manhã Amoroso pegou uma Chora no Pau e Estilingue e saíram do bar com destino ao seu pardieiro. 

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