segunda-feira, 20 de janeiro de 2014



10\04\2012
O senador Demóstenes afirma que recorrerá ao supremo tribunal para anular a escuta telefônica da Polícia Federal, pois faz dele um possível contraventor,  a Polícia Federal não tem ou não tinha uma licença legal para escutar as conversas do senador. Qual será ou seria o argumento? Bem, ele, parte do seguinte raciocínio:
__ Eu não estava conversando com um sujeito suspeito de contravenção, ele é que falava comigo (para um advogado isto é verdade).

O advogado do senador afirma que:
__ Um senador só pode ser investigado com autorização da suprema corte.
Não cabe aqui citar o que pesa, mas, o fato é que, mesmo se o senador estiver causando contravenção, não poderia ser processado, pois o supremo  não deu permissão para que as conversas "na calada-da-noite" revelassem a sua verdadeira índole, ou que tipo de moral o mesmo  tem!
O senador tem todo o direito 'do mundo' em se defender e alegar inocência.
Claro que tem! O fato de o senador estar praticando atos ilícitos não implica em nada de ilegal ou imoral, afinal, a suprema corte ("que suprema"),  não autorizou a escuta telefônica que seria, ou que poderia ser usada em prol da moralidade da nação, contra o “nobre senador Demostenes Torres”.  A lei está acima da moral, da ética e da ordem de um país.
Entrementes, por que a convicção do senador em recorrer à suprema corte?
 Não é um hábito de nós brasileiros, mas, lembremos: há algum tempo atrás, um juiz do supremo livrou um banqueiro de passar algum tempo numa jaula; isto seria a primeira vez no Brasil que um banqueiro iria direto pra cadeia.
Não satisfeito com a liberação do caudilho a Polícia Federal prendeu-o novamente, o juiz, sua excelência, ratificou mais uma vez a liberação do caudilho injustiçado. Pois bem, o assunto terminou por aí mesmo, todavia, é bom lembrar mais um fato: aconteceu nas dependências daquela casa tão justa do judiciário quanto seus ocupantes. Certa vez (não confunda com "era uma vez") este mesmo juiz que ratificou um "habeas corpus ad subjiciendun[1]" para àquele banqueiro, entrou em um embate de ideias com um de seus iguais, ou um de seus pares! O fato é que a chapa esquentou, e esquentou tanto que o embate foi para o bate-boca. Isto mesmo,  no calor da discussão aquele que rogava-se então presidente ouviu do seu interlocutor:
__ Eu não tenho medo de você vossa excelência, assim como não tenho medo dos seus jagunços de suas fazendas! O debate degringolou-se para uma baixeza sem limites. Por que me lembro desse fato? Não  esqueçam leitores amigos, que estamos lidando com um possível ou eventual julgamento de um senador,  pois este tem o poder de voto e o banqueiro tem o poder do lobby.  Este que paga e fomenta o lobby é forte, e  como é forte!  Porém  quem vota é o senador!  Mas por favor, leitor amigo, não me interprete tão rápido. 
O que é que faz exatamente um  jagunço[2] nas nossas paragens[3] do Goiás, numa fazenda de um juiz da suprema corte?
Nesta mesma casa aconteceu outro fato histórico, mas tão recente que a história ainda não o levou aos anais dos registros oficiais. Lembro aos senhores leitores: a coisa pouca de alguns meses atrás o supremo teve que julgar a questão da ficha-limpa, que então houvera sido aprovada pelo legislativo. Pois bem, dentre vários, haviam vários deputados insatisfeitos com esta nova lei. Um recorreu! Onde? Na suprema corte. O que aconteceu é sabido por todos, todos aqueles que têm um memória política. O supremo derrubou a legalidade da ficha-limpa, fato curioso, um único magistrado ficou para decidir! Tempos depois a ficha-limpa foi alçada à condição de lei, entretanto, uma coisa nunca saiu da cabeça de muitos brasileiros. Quanto custou para que naquela primeira vez a SUPREMA corte vetasse a legalidade da ficha-limpa! Com certeza, precisou de muitos advogados e que "advogados", mas, por favor, não me compreendam tão depressa internautas!
  Entrementes, após essas lembranças retomo o caso do ilustríssimo senador Demostenes: ele tem todo o direito de recorrer ao supremo, é uma prerrogativa dele, soma-se que todo réu tem direito de ser julgado e de ter um advogado ou vários para defendê-lo!
Num país onde os advogados trabalham em função de dinheiro, uma suprema corte em que alguns de seus ilustríssimos juízes contratam jagunços para proteger suas propriedades, senadores deputados federais e estaduais assim como os nobres vereadores, jamais cassam mandatos de seus iguais, ou seus pares por corrupção ativa ou passiva, independente da gravidade. Soma -se a este contexto que a (nós) nossa sociedade jamais se mobiliza para intervir diretamente nestes assuntos.  Como que o Brasil será melhor e um país de todos sendo que, aqui não podemos dizer ”nosso país”, uma vez que nós, eu, você e ele, jamais zelamos por ele de forma patriótica?  Este país jamais será nosso, meu, seu, dele.
Este fato como vários outros semelhantes a este expõe que nossa sociedade é muito ingênua, mansa, alegre e burra. Este imperativo categórico de levar vantagem em tudo é que nos escraviza diante às comunidades estrangeiras, que só nos exploram, afinal, nós ensinamos a eles o famoso “jeitinho brasileiro”.
Certa vez um senador, que hoje é ministro disse:
__ “Eu não me sinto bem em participar de uma comissão de ética para julgar os meus pares, ou os meus iguais”.
Claro que ele não se sente a vontade para punir um corrupto, pois este nobre ministro tem compromisso é com as negociatas que correm nos corredores do senado e do congresso, que compromisso ele tem com os seus eleitores? Nenhum.
Num país onde todos nós brasileiros não temos memória política, como vamos punir estes anti-políticos, estes mercenários? Afinal, hoje o que elege um político é a extensão de sua conta bancária e os conchavos com empreiteiras, empresários das telecomunicações e  multinacionais. Nós eleitores, somos reféns de nossa própria ignorância. Para refrescar um pouco mais nossa ingenuidade, quando digo nossa, é nossa mesmo, inclusive este que vos escreve.
Lembra do presidente operário? Pois bem, quanto custou e tem nos custado o mensalão?   E  quando ele disse:   Deixem os banqueiros em paz, se eles quebrarem tá todo mundo ferrado!
Certa vez, não confunda com “era uma vez”, um ilustríssimo presidente do Brasil, que quando tomou posse, já era reconhecido como um ‘intelectual’, uma mente extremamente brilhante para sanar os problemas do Brasil, um sociólogo. Este presidente e intelectual foi consultado por um de seus aliados políticos que se encontrava em situação parecida com a do Demostenes. O caso era de corrupção de dinheiro público.  O gatuno da res publica pediu conselhos ao presidente intelectual na época e este confidenciou lhe o seguinte:
__ “Fica quieto, calado, vá pra casa, tome um chá com a esposa e faça uma viagem. Quando você, ilustríssimo homem de bem, voltar, já terá acontecido outros escândalos e vós não serás mais lembrado ou cobrado de nada”.

Dito e feito e assim aconteceu... Pergunto:

__ Assim também acontecerá com ilustríssimo senador Demostenes torres?

 

Um forasteiro ao chegar em um determinado país, fica por um longo tempo a admirar a bela e grandiosidade do local. Ao encontrar com um nativo, risonho e apresentando se boa-praça, aquele pergunta a este:

 

Forasteiro: __ Meu senhor; em quem o senhor votou para vereador?

 

Nativo: __ Não me lembro.

Forasteiro: __ para deputado estadual?

Nativo: __ Não me lembro.

Forasteiro: __ para deputado federal?

Nativo: __ Não me lembro.

Forasteiro: __ para senador?

Nativo: __ Não me lembro.

Forasteiro: __ para prefeito?

Nativo: __ Não me lembro.

Forasteiro: para presidente da república?

Nativo: __ Não me lembro.

Forasteiro pensando consigo mesmo: Povinho besta! É aqui que me darei bem e minha pátria, pois vamos espoliar tudo pelo bem do meu povo.


Dê sua opinião. 

 


[1] Pedindo a liberação de um presidiário.
[2] Jagunço, criminoso foragido ou qualquer homem violento contratado como guarda-costas por indivíduo influente
[3] Lugar onde algo ou alguém pode ser encontrado.



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