quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Educação ou atitude?


No Brasil uma das maiores reivindicações da população é Educação escolar administrada pelo governo. Reclamamos que faltam escolas, faculdades, universidades e cursos técnicos profissionalizantes públicos e por ai vai.
Acreditamos que um país em que há um sistema educacional bom e possibilite a todos terem acesso a Educação, há de fazer desse, um país melhor. Mas nós acreditamos mesmo nessa ideia? Ou temos realmente consciência e conhecimento disso que estamos acreditando, até onde esse discurso é verdadeiro!
Há um fato que passa despercebido pela maioria que estuda em escolas públicas, a escola pública é pensada como escola de graça, o governo nos oferece este serviço sem termos que pagar, a escola pública é tão particular quanto às escolas particulares, as escolas públicas são mantidas com dinheiro público que eu, você, todos nós pagamos, portanto a escola não é de graça. Nós pagamos para estudar, todas as escolas e faculdades administradas pelos  governos municipais, estaduais ou federais são escolas  particulares.
Se observarmos os índices de acesso às escolas públicas no âmbito do ensino fundamental e médio, dá-se uma ideia que ao longo dos últimos 20 anos a porcentagem de cidadãos com acesso a escola é de quase 100%. Mas por que o índice de desenvolvimento dos alunos é péssimo? Por que os melhores cursos, engenharia, medicina, odontologia e outros só são acessíveis às pessoas que estudam nas escolas chamadas de particulares e frequentaram bons cursinhos? Por que o governo informa através de seus órgãos ligados ao ministério da Educação que 90% dos alunos no Brasil chegam ao final do curso médio sem saberem ler e escrever?
Durante muito tempo acreditei nessa ideia, nessa “paródia”; acreditei que o país iria melhorar só através de um sistema Educacional bom ou muito bom. Mas mudei minha opinião, acredito que a solução ou a provável solução não passa primeiro pela Educação.
Façamos do tempo um caderno e folhearemos o caderno das páginas do período militar até os dias atuais, não farei uma crítica ao sistema ou aos governantes, não! Isto não. Vejamos o seguinte, passaram vários governantes e dentre eles haviam, intelectuais, trabalhadores, sociólogos, militares, políticos de carreira, etc. Diante desse fato, todos estes governantes são a pura essência da nossa sociedade, não são nossos representantes, somos nós mesmos, a mentalidade deles é exatamente a nossa mentalidade enquanto povo ou sociedade que dá-se no mesmo.
Entrementes aqui é necessário uma observação. Uma pessoa que é um excelente escritor, não é melhor ou tem mais consciência cultural em relação aos demais da sua sociedade, uma pessoa que cursou um ou mais cursos universitários não é melhor ou tem mais consciência que uma pessoa que pouco estudou, a qualidade cultural reflete diretamente no governo que esta sociedade o elege.
Volto ao penúltimo parágrafo, o que o povo ou a sociedade Brasileira melhorou em termos culturais desde o período dos militares até os dias atuais? Observemos o judiciário em sua totalidade, dos advogados até o supremo tribunal federal; no geral os advogados não buscam a justiça, mas livrar seus clientes das punições legais, mesmo que pra isso recorram às falhas das leis e do sistema processual; não há grupos de juízes buscando todas as formas legais de melhorar as leis, o governo não investe no sistema judiciário, o juiz nada pode fazer, assim dizem eles. As leis criadas são falhas, quem diz que são falhas são os próprios membros do judiciário.
Faço a primeira observação, partindo do pressuposto que juízes, desembargadores e ministros do supremo tribunal federal são intelectuais, por que o judiciário é incompetente no Brasil? Há no Brasil muitos juristas inteligentíssimos (assim dizem), mas como pode haver intelectuais nesse sistema se o sistema é incompetente? Ou será que estes intelectuais e todos os membros do judiciário tem a mesma consciência dessa sociedade? 
Segunda observação; cantavam em alto e bom tom que os melhores intelectuais do Brasil estavam nos partidos de esquerda (não estou defendendo direita ou centro), pois bem, com a chegada dos partidos de esquerda ao governo, a coisa pública degringolou, com a chegada desses, a corrupção no Brasil foi revelada a quantas andavam, e continuou, assim como continua, ou seja, direita e esquerda continuam corrompendo a coisa pública. Aqui pergunto, onde estão os intelectuais da esquerda que eram tidos como os melhores?
Um Estado, ou um governo que tem índices altíssimos de inclusão escolar, não significa, necessariamente, que a sociedade vai progredir, vai evoluir! O que está errado e por que as coisas não mudam e tendem a não mudar? Por que batemos na mesma tecla há vários anos e não mudamos o olhar? Por que não temos outro olhar.
Será que consigo me ver no outro? Sou um indivíduo ou sou a soma, a essência da moral de um povo? A cultura da sociedade faz de mim um cidadão ou sou um indivíduo que assiste uma multidão passar por mim durante minha existência? O homem são suas crenças extraídas de sua cultura ou é um observador solitário no meio de gente?
Não pretendo citar aqui pensadores para justificar ou embasar minha opinião, poderia citar sociólogos, filósofos, políticos e outros mais, mas nada disso adianta, dessas classes já passaram vários pelo nosso governo e a coisa pública continua a mesma coisa. Mas tem uma frase que não é minha, mas citarei.
“não interessa o que fizeram com você, o que interessa é saber o que você vai fazer com o que fizeram com você”.

Somos um povo sem história, somos um povo que só quer levar vantagens, gostamos de furar a fila, gostamos de ficar com o troco que veio a mais, não temos respeito pelos mais velhos, não aprendemos a nos ver como uma sociedade, não aprendemos a ver nosso país como nossa casa, mas um lugar de passagem, o Brasil não é nossa casa. Se duvidarem, por favor, descreva como são as atitudes dos nossos congressistas, senadores e do governo em geral. Os que não estão envolvidos diretamente em corrupção, não denunciam os que estão corrompendo. Os desvios de verbas se tornaram uma coisa normal para nós brasileiros, os envolvidos no escândalo do mensalão aguardaram a decisão do supremo por oito anos, mas o chefe da quadrilha nem foi mencionado; ou o leitor amigo acredita que o Sr. Lula não tinha culpa nenhuma, afinal o mensalão corrompia deputados para aprovarem as emendas do governo, Lula era o Presidente da Republica!
Acredito que o que falta ao Brasil são homens que estejam dispostos a cortarem na própria carne as mazelas, desmandos e a ilegalidade a partir de si mesmos. Que a justiça seja igual para todos a começar pelos próprios governantes, que as leis sejam rígidas sem distinção de classe ou poder econômico. Que a corrupção contra o Estado seja a punição mais rigorosa, sem direito a progressão de pena, trabalho forçado, e pena de no mínimo de 20 anos de cadeia, todo cidadão que participar direto ou indiretamente de roubo da coisa pública não possa recorrer em nenhuma outra instância judiciária após julgado e sentenciado. 
Acredito que no dia que nós, povo brasileiro, nos tornarmos pessoas sérias, que respeitarmos as pessoas como respeitamos a nós mesmos e tivermos uma justiça rigorosa, rápida e punitiva a Educação surgirá naturalmente, mas enquanto tivermos uma justiça omissa e falha, de nada adiantará. Pois educação sem qualidade não faz de nós nem mesmo analfabetos funcionais, a prova está diante de todos nós, todos os dias, mais e mais pessoas têm acesso às escolas e faculdades, mas 90% não sabem ler, não sabem escrever, nós não sabemos interpretar um manual para montar uma peça, uma maquina, um equipamento... A questão aqui não é saber ou apontar os culpados, mas saber porque cada um de nós não está fazendo a parte que lhe cabe... parar de furar a fila, respeitar os mais velhos, devolver o troco a mais, respeitar o outro, descobrir que o Brasil é sua casa, cuidar dela...

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2 comentários:

  1. Educação fraca ou direcionada é fator de dominação em nosso país, haja vista supletivos públicos, faculdades de bacião e escolas públicas degradadas que viraram puramente impressoras de diplomas.
    Esses juízes, intelectuais e governantes de esquerda viveram épocas e oportunidades diferentes, num contexto em que defender direitos coletivos ainda era sinônimo de cidadania.
    Acredito que não é possível um povo primitivo em conhecimento fazer revolução trocando os políticos porque os políticos são o nosso reflexo.
    Os ladrões estão aí porque corrupção não é considerada grave numa sociedade da baixa educação, baixa auto-estima e de valores precários.

    Acredito que educação é um valor supremo e deve anteceder a todas as atividades do viver coletivamente.

    Uma boa fonte sobre essa questão educação/valores sociais é o livro 'Cabeça de Brasileiro', escrito por um sociólogo; ele também foi entrevistado no programa 'Roda Viva' [youtube] da TV Cultura para falar especialmente sobre o livro e suas implicações, vale à pena ver!!

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